Shein proíbe venda de bonecas sexuais após indignação com aparência infantil dos produtos

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Manifestantes protestaram em Paris em frente ao local onde a Shein vai inaugurar uma loja
    • Author, Osmond Chia
    • Role, Repórter de Negócios
  • Tempo de leitura: 3 min

A gigante do varejo online Shein disse ter proibido a venda de todas as bonecas sexuais em sua plataforma após ser acusada de exibir produtos com "aparência infantil" em seu site.

Em novembro, a agência nacional francesa de defesa do consumidor levantou preocupações sobre a descrição e categorização das bonecas, afirmando que isso deixava "poucas dúvidas quando à natureza de pornografia infantil do conteúdo".

Após as alegações, a Shein afirmou ter banido permanentemente "todas as contas de vendedores vinculadas a produtos de bonecas sexuais ilegais" e disse que reforçaria os controles em sua plataforma global.

A Shein também disse que removeu temporariamente a categoria de produtos adultos como medida de proteção.

"Todos os anúncios e imagens relacionados às bonecas foram removidos de sua plataforma", informou, acrescentando que fará uma revisão completa e planeja impor controles mais rigorosos sobre os vendedores.

"A empresa também reforçou sua lista de palavras-chave proibidas para evitar ainda mais tentativas de burlar as restrições de listagem de produtos por parte dos vendedores", disse a companhia.

O presidente-executivo da empresa, Donald Tang, afirmou que "a luta contra a exploração infantil é inegociável para a Shein".

"Esses anúncios eram de marketplace, feitos por vendedores terceirizados, mas eu levo isso para o lado pessoal. Estamos rastreando a origem e tomaremos medidas rápidas e decisivas contra os responsáveis."

Em fevereiro de 2026, a União Europeia abriu uma investigação formal contra a Shein por possíveis violações da legislação digital do bloco, incluindo a venda de produtos potencialmente ilegais, como bonecas sexualizadas com aparência infantil.

A Comissão Europeia, braço executivo do bloco, informou que irá analisar quais mecanismos a empresa possui para impedir a comercialização de itens ilegais, "incluindo conteúdos que possam constituir material de abuso sexual infantil".

Denúncia na França

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Em um comunicado, o Ministério Público de Paris disse ter recebido denúncias da Direção Geral de Concorrência, Assuntos do Consumidor e Controle de Fraudes (DGCCRF, na sigla em inglês) da França de que bonecas sexuais com aparência infantil estariam sendo vendidas na Shein e também na plataforma de comércio online Ali Express.

A DGCCRF afirmou que as duas empresas — assim como também as plataformas online Temu e Wish — estavam sendo investigadas em relação à "divulgação de mensagens violentas, pornográficas ou indignas acessíveis a menores".

A Procuradoria disse ter encaminhado a investigação ao OFMNI, órgão francês responsável pela prevenção de violência contra menores de idade.

O DGCCRF levantou as preocupações iniciais sobre as bonecas no sábado (1/11).

Em resposta, a Shein disse que removeu os anúncios de bonecas sexuais com aparência infantil assim que tomou conhecimento do problema e deu início a uma investigação para entender comos os produtos conseguiram ser oferecidos para venda na plataforma.

O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, ameaçou banir do país a varejista sediada em Singapura, caso ela continuasse a vender os produtos - dias antes da empresa inaugurar sua primeira loja física em Paris.

Pessoas foram vistas protestando em frente à loja de departamentos BHV, na região da Prefeitura de Paris, onde a loja da Shein deve ser inaugurada nesta semana.

A marca já havia sido alvo de críticas devido ao impacto ambiental da moda fast fashion e pelas condições de trabalho das pessoas que fabricam os produtos vendidos na plataforma.

Esta reportagem foi atualizada em 7 de novembro para incluir que a Temu e a Wish não estão sendo investigadas pelas autoridades francesas pela venda de bonecas sexuais com aparência infantil. As duas empresas estão sendo investigadas em relação à "divulgação de mensagens violentas, pornográficas ou indignas acessíveis a menores".